domingo, 10 de abril de 2011

Um ano de Mog Universitária

Há exatamente um ano, eu criei esse blog (de ideia razoável, mas de nome meio tosco). O objetivo principal era contar sobre a vida de uma universitária. Simples assim. Mas universitários também têm interesses que extrapolam o campus e a vida acadêmica. O meu especificamente é a literatura. E é por isso que para comemorar o aniversário do meu blog eu decidi fazer um vlog sobre literatura, e uma nova "sessão" para o blog, contando os eventos que vão agitar a semana (HAHA)!

Nesse primeiro ano, foram apenas 21 posts. Mas eu quero escrever mais. Por isso a nova sessão sobre eventos, que será postada aos domingos, já que depois de divulgar, o ideal é que eu escreva sobre os eventos que eu fui. Já o vlog vem para suprir outras necessidades que eu tentarei explicar no primeiro vídeo (que estará em algum lugar por aqui: http://www.youtube.com/user/moguniversitaria).

Essa semana vai ser muito linda! Vejam só o que acontecerá:

* I Colóquio Internacional de Estudos Medievais - será do dia 11 ao dia 13 de abril. As inscrições foram até o dia 05, mas se interessando pela programação, vale a pena mandar um e-mail para a organização perguntando se é possível se inscrever ainda (valor: R$ 35,00). A programação vocês podem ver clicando aqui. Eu estava louca para ir nesse colóquio, principalmente por causa da comunicação sobre o Dante Aleghieri (eu estou lendo A Divina Comédia - Inferno!) e o debate sobre o mito arturiano no cinema (eu amo Rei Artur!). Além da falta de dinheiro, eu não vou poder ir no debate por causa do próximo evento;

* Banquete de Livros - será do dia 12 ao dia 15 de abril e, melhor, tem entrada franca. A programação está aqui, mas posso adiantar contando o que eu mais quero ver: a conversa com Alberto Martins e Flávio Carneiro sobre "Livros e literatura contemporânea". Que me perdoem os outros autores que participarão do evento, mas o único que eu já li algum livro é o autor de um livro que eu gostei MUITO: o Flávio Carneiro, autor de A Confissão - livro que "caiu" no vestibular da UFG em 2008 e 2009. Podem apostar que eu estarei lá no (novíssimo) centro cultural da UFG, com o meu
A Confissão para ele autografar dia 13. As inscrições são feitas no site da Editora UFG.

* Mostra Sexo e Poder - está acontecendo desde o dia 04 e vai até dia 20 de abril a mostra de filmes Sexo e Poder. Quando li o título confesso que pensei "Nóh, isso soa tão ciências socias!" e de fato a mostra foi organizada por um grupo de pesquisa da FCS, o Ser-tão. Os filmes estão sendo projetados no Cine UFG (ingressos custam R$3,00) e acredito que estarei na sessão das 17:30 de quarta-feira, para assistir O Império dos Sentidos e o debate pós-filme (e também para ajudar minha futura orientadora de PIBIC, se tudo correr bem ;D). Queria assistir muitos filmes da mostra, mas em primeiro da lista está "Saló", que é uma adaptação do livro "120 dias de sodoma" do Marquês de Sade, que eu comecei a ler esse ano e larguei pela metade.



Semana agitada com filmes, eventos e provas. Ah! e possivelmente com meu primeiro vlog. Obrigada pela visita de todos no meu blog, obrigada pelos comentário, e é isso.
Beijokas e inté.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O cinema e eu

"Acabei de me lembrar o quanto eu gosto de cinema. De filme, sim. Só que mais que isso. Eu gosto de ver filme no cinema. Gosto de ver (e principalmente ouvir) as reações das outras pessoas."
Escrevi isto na esperança de fazer um post sobre meu reatamento com o cinema, quando a luz da biblioteca da UFG acabou e fiquei sem computador. Tinha saído a pouco do escurinho da sala do Cine UFG, onde assisti Dogville, na Mostra Lars von Trier. Sai um pouco abatida, porque é um filme pesado, mas muito feliz por ter assistindo um bom filme. E assim fizemos as pazes.
"A segunda melhor coisa que você pode fazer no escuro é ver um filme. A primeira é ver um grande filme. Obrigada, cinema.” Luís Fernando Veríssimo no livro Banquete com os Deuses.
Sei que "reatamento" pode soar exagerado, mas houve em 2010 uma mudança tão grande no meu relacionamento com o cinema que é assim que eu me sinto.

Quando eu era pequena e almoçava assistindo desenhos da Disney ou filmes de dinossauro, as fitas cassetes me deixavam muito curiosa. "Por que é preciso tanta gente pra fazer uma fita?". Lembro que na sétima série, mesmo sem saber como, eu gostava da ideia de fazer cinema. Mas era um segredo ainda. Só uma paixonite platônica.

No primeiro ano, quando enfim entendi que depois do ensino médio vem a faculdade, a ideia se tornou mais concreta. Olhava nos olhos e fazia charminho. Fiz aulas de Audiovisual, uma matéria extracurricular com o Julio Vann (que foi também meu professor de teatro, e quem eu muito admiro) e já verbalizava meu desejo de fazer cinema. "Onde existe faculdade de cinema?". No segundo ano, em uma das várias oficinas que eu fui nessa época (cheguei a trabalhar com edição de vídeo), descobri que havia sido aberto o Curso Superior de Audiovisual na UEG.Agora minha paixão morava perto e seria fácil ficarmos juntos.

Até que no terceiro ano, graças ao professor de química (Silmar, o batatinha), eu descobri a USP! - pausa dramática e coraçõezinhos no ar. Descobri o curso de Audiovisual na USP e fim, o amor me cegou. Pra mim só existia USP: assistia os filmes que os alunos de lá produziam, tentava me enturmar na comunidade dos vestibulandos de AV de lá... Só falava na USP. Cheguei a fazer o ENEM de 2008 com a camiseta da USP.

Sim! De 2008. Sabe como é namoro à distância, né. Dá um trabalho... Terminei o terceiro ano em 2007, mas meu amor obsessivo me exigiu três anos de dedicação. Fiz dois anos de cursinho. DOIS ANOS! Só quem passou por essa vida sabe o que é isso. É um sofrimento estilo poetas do mal do século: me deteriorava enquanto idolatrava o ser amado.

Fui na USP uma vez, fazer a prova específica do curso. Foi um dos dias mais incríveis da minha vida. A prova foi linda e foi aplicada por um professor do curso. "Posso ficar aqui pra sempre?" - queria perguntar. Tendência cansativa essa de achar que os amores são infinitos.

Cansada de sofrer me entreguei as Ciências Sensuais... digo, Sociais (rs rs piada velha!). E não olhei mais para trás. Tá! Tudo bem que eu fiquei SUPER empolgada quando o Ismail Xavier (preciso dizer que ele é professor de cinema da USP?) foi dar uma palestra na UFG e acabei roubando um dos cartazes com a foto dele pra mim. Mas parei de tentar conhecer os clássicos do cinema ou os diretores cults. Não comprei mais nenhum livro sobre cinema, só porque o autor seria meu professor na USP. O único livro que li sobre o tema foi A Concepção Materialista da História do Cinema, de Nildo Viana, que eu carinhosamente apelidei de "Livro de auto-ajuda para quem não passou em Audiovisual na USP".

A questão é que, ainda que de forma inconsciente, tentei me afastar do que fosse relacionado ao Cinema, e do meu amor por ele. Mas a CS (Ciências Sociais) não é do tipo ciumenta. Se eu digo que estou em dúvida dos meus sentimentos por ela e que me sinto apaixonada pela literatura, ela não faz escândalo. Chama a literatura pra jantar conosco e tenta conversar. E sei que ela fará o mesmo com o Cinema, agora que a gente reatou.

Beijokas e inté!

P.S.: Começa hoje, no Cine UFG, a Mostra de filmes de Jean-Luc Godard. Programação no blog do professor Lisandro Nogueira.

p.s.2: Já ganhei um prêmio num festival de cinema. 3º lugar de categoria Vídeos Caseiros do II FestCine Goiânia. \o/

domingo, 27 de fevereiro de 2011

[DL2011] Charlie Chaplin

Enquanto eu caminhava entre as estantes da feira de troca de livros, vi dois olhos tristes me encarando. Talvez seja exagero meu. Talvez eu nem os tenha notado naquele dia. Mas hoje, tentando escrever sobre o livro que tem na capa esses olhos, percebo o quanto gosto deles. Entre a cartola e o bigodinho característicos, foram os olhos do Charlie Chaplin que eu descobri depois de ler sua biografia.

Se não tenho certeza quanto aos olhos, posso afirmar que no dia em que vi o livro, fiquei em dúvida se ficava ou não com ele. "Nossa, a biografia do Charlie Chaplin, que legal!" - devo ter pensado - "Ah, mas é dessas coleções de biografias fininhas... 'Personagens que mudaram o mundo - Os grandes humanistas'. Será que é confiável?!".

"Charlie Chaplin", de Pam Brown, pode até ser confiável em suas 64 páginas, mas graças à David Robinson e a biografia de sua autoria "Chaplin, Sua Vida e Arte". Isso por que a impressão que eu tive foi que a obra da Brown é um resumo da obra do Robinson, que é sempre citada, e que recebe até mesmo um agradecimento no início do livro. Mas é um resumo bem feito, diga-se de passagem: com capa dura e muitas imagens. Sem contar que me deixou com vontade de ler mais sobre o Chaplin, e de assistir seus filmes - e é com vergonha que eu admito nunca ter assistido nenhum filme inteiro dele.

Chales Spencar Chaplin deve uma vida de contos de fadas moderno. Teve uma infância difícil do lado do irmão e da mãe, que era a responsável por encantar a vida do filho com brincadeiras envolvendo mímicas e por colocá-lo em situações críticas quando ela tinha crises de saúde e ficava internada. Viveu a pobreza da Inglaterra do fim do século XIX, e levou muito de sua vivência aos seus filmes, em que tanto se dedicou. Filmes que o tornaram famoso no mundo todo. Uma das coisas mais curiosas da vida dele é que Charlie, que se considerava um cidadão do mundo, foi acusado de ser comunista e exilado dos EUA durante o macartismo. Morreu velhinho, aos 88 anos, dormindo na manhã de natal.
"Eu não ria de Charlie até chorar. Na verdade, eu ria para não chorar, o que é bem diferente." Um crítico de cinema.
Adorei conhecer um pouco mais sobre o cara da cartola/bigode/bengala, e descobrir sua vida e olhos incríveis. *o*

Beijokas e inté.

Obs.: pular carnaval é para os fracos. Esse ano eu quero é uma sessão do Vagabundo mais doce do mundo. ;D

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A crise do terceiro período

"Nas férias eu perco total interesse no meu curso. Isso é normal Dr.? u.u'"
"Acho que com excesso de tempo livre pra pensar, percebo que não sei nada do que estudei ano passado e me pergunto o que tô fazendo nas CS."
"Queria escrever sobre meu primeiro ano de curso, mas eu ando tão desanimada com ele que tenho até medo do que eu escreveria."
"Demos aos calouros sua 1º decepção com o curso logo no 1º dia, para se acostumarem e terem um motivo pra seguir logo o @ ;D"
Oie todo mundo,
as frases acima foram tiradas do meu twitter e mostram minha recente falta de animação com o curso de Ciências Sociais. Tendo criado o blog com o intuito de comentar as passagens da vida universitária, me parece compreensível que eu conte aqui como estou me sentindo em relação ao curso - mesmo que não seja um sentimento agradável ou motivador (sorry calouros!).

"Por que você escolheu Ciências Sociais?" - me pergunta o professor.
"Bem, escolhi esse curso pois me interesso muito pela sociedade; gostaria de entender melhor como nos relacionamos..." - ops! Não... acho que não foi isso que eu respondi ano passado na minha primeira semana de aula.

Talvez meus problemas comecem aí: não consigo me lembrar porque estudo o que estudo. Nesse momento, talvez eu estude porque é o curso em que estou matriculada. Mas isso não me basta (e na verdade só me deprime), por isso estou me desafiando a descobrir o porquê de fazer Ciências Sociais. E tenho um semestre para isso.

Devo gostar de desafios, pois já me sinto mais animada.
Beijokas e inté :)

Obs.: Talvez a crise do terceiro período seja na verdade a crise dos vinte anos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

[DL2011] Lampião, Lancelote e minha Maria Bonita

Eu estava na biblioteca do SESC Universitário fazendo minha lista para o Desafio Literário. Tema de janeiro (sim, esse post está atrasado, sorry! >.<'): Literatura Infanto-Juvenil. Quando vou na estante desse gênero, eis que eu vejo um grande livro fino chamado "Lampião e Lancelote". COMO ASSIM? Pego-o na mesma hora já apaixonada.
Eu tenho um apreço muito grande pela cultura do nordeste brasileiro
e pela medieval européia, britânica principalmente. Sentimentos, acredito que inicialmente, influenciados por minhas origens: o primeiro por causa da origem nordestina da minha família materna; e o segundo pela origem do meu nome (Morgana, personagem das lendas do Rei Arthur). Então o livro pra mim foi um presente, que foi devidamente anotado na minha lista de desejos.

Li o livro em outra visita à biblioteca, enquanto deveria estar estudando para um seminário (algo comum, vide meu post sobre O Pequeno Príncipe). Ele conta sobre o encontro dos dois personagens do título, tendo o Lancelote chegado ao sertão brasileiro por um portal escondido nas brumas pela Morgana (sempre diva!). Eles não se entendem e está armada a confusão:
"Cavaleiros da Europa
Contra cabras do sertão
Era lança flecha espada
Muita armadura quebrada
Muita peixeira na mão"
O livro é absurdamente bem trabalhado. O autor, e ilustrador Fernando Vilela, apresenta cada personagem e usa o estilo literário próprio de cada cultura para fazê-lo: usa a métrica do cordel nas falas do Lampião, enquanto as do cavaleiro têm características dos duelos escritos por José Costa Leite. Tá! Essa parte do JCL eu aprendi no final do livro, onde ele, cuidadosamente, explica sobre o texto (coisas como: "sextilha heptassilábica", "esquema de rima ABCBDB", "sílabas poéticas", e outras coisas interessantes que eu aprendi apenas no cursinho!) e as ilustrações do livro. As ilustrações são se encher os olhos, sendo o prata usado nos detalhes do Lancelote e o cobre, nos do cangaceiro.

Agora conversemos um pouco sobre o tal do cangaceiro, que tornou minha leitura ainda mais emocionante e emocionada. Sem querer tomar partido sobre o Lampião, o narrador diz que alguns o viam como herói e outros como bandido. Diz também que os cangaceiros estavam próximo de Mossoró, cidade que guardo na mente como sendo a dos meus avós.

Se eu pudesse dedicar a leitura desse livro à alguém, seria aos meus avós Francisca e Antônio Tenório. Principalmente a ela, minha Maria Bonita, que partiu alguns dias antes da minha leitura. Se eles estivessem aqui, eu poderia ler da maneira como tive vontade na biblioteca, alto, com todo estilo que o cordel exige e com o carinho que os avós merecem.

Na festa de 50 anos de casados: meus avós, minha prima Sara e eu *o*

Desculpem-me pelas resenhas pouco ortodoxas, mas livros estão sempre nos afetando emocionalmente, e às vezes é bom deixar transparecer. Despeço-me aqui deixando algumas observações para os mais curiosos e atenciosos.

Beijokas e inté.
:D

Obs.1: Minha vó costumava contar uma história de sua infância, de quando ela viu o Lampião e seu bando chegando em Mossoró. Não me lembro de tudo. Só da parte que quando os cangaceiros se aproximaram, um primo dela estava no mato fazendo suas necessidades até que os viu e saiu correndo tentando subir as calças. "É um jumento que tá correndo ali no mato?" grita um dos cabras do rei do cangaço. Eu sempre ria! :D

Obs.2: Em 2007 eu fiz um vídeo de presente de aniversário para a minha vó, que deixo disponível aqui para vocês. Ele começa com uma música que ela gostava de cantar, e que é a minha razão para chamá-la de Maria Bonita - além de suas qualidades de guerreira e seu amor e companheirismo por seu marido.



Ob.3: Preciso dizer que o livro tá mais que recomendado? Lindo, lindo! Parábens Fernando Vilela.
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